Jornalistas na Alemanha
Dados e Personalidades
Pesquisas revelam que o jornalista alemão típico é do sexo masculino, na faixa dos 41 anos, da classe média, comprometido mas sem filhos, com formação universitária e experiência em estágios no início da carreira. Ele trabalha na mídia impressa recebendo aproximadamente 2.300 euros líquidos por mês.
O avanço da informática também transformou este cenário e atualmente 99% dos novos jornalistas já aderiram aos emails e à internet.
Quem é jornalista?
A discussão sobre o papel do jornalista e de quanto ele deve permanecer neutro em suas matérias é sempre muito atual. “Todo bom jornalista é um repórter. E repórter não é um artista, nem um político e nem um sábio”, defendia Egon Erwin Kisch (1885-1948) que até hoje serve de exemplo para muitos jornalistas, conhecido como “o incrível Repórter”.
A Associação dos Jornalistas (DJV) define a profissão como: "Através de uma vasta gama de informação jornalística publicada na mídia, os jornalistas conseguem a base para garantir que cada cidadão reconheça as forças na sociedade e no processo de expressão política e podem participar na tomada de decisões. Estes são os pré-requisitos para o funcionamento do Estado democrático”.
Para que este objetivo seja alcançado, os jornalistas precisam diferentes qualificações e aptidões. Para o DJV, juntamente com a responsabilidade social, capacidade de empatia, criatividade e habilidades linguísticas, é necessário um nível de educação, que pode ser o ensino médio ou a conclusão de uma graduação de nível superior. Assim, o profissional deve apresentar domínio sobre as técnicas da mídia, ter habilidades de design para produtos publicitários, dominar diferentes métodos de pesquisa e análise de mensagens, ter conhecimentos básicos da lei da mídia, conhecer as formas de concorrência e estruturas midiáticas.
Desta forma, há uma série de cursos de formação jornalística:
* O estágio (Vonlontariat)
* Estudos de Jornalismo
* Escola Profissionalizante de Jornalismo
A DJV acredita que a única forma hoje em dia de um jornalista ter alguma chance no mercado de trabalho é a associação entre uma graduação e um estágio.
FREELANCERS – Os jornalistas livres
48 mil pessoas se dedicam especialmente a juntar informações e fatos relevantes, para descrevê-los e publicá-los na mídia. Este número baixou nos últimos 12 anos, quando o número de profissionais chegou a 54 mil. Porém, destes um terço desse número trabalhava como freelancer, número que caiu para um quarto em 2006.
Contratados ou não, o modo de trabalho é o mesmo: a maior parte do tempo - aproximadamente 239 minutos diariamente - são dedicados exclusivamente a comunicação e a pesquisa de informações e fontes. A maioria (89%) dos jornalistas buscam a neutralidade na hora de escrever seus textos e informar de modo preciso e claro assuntos complexos.
Atualmente, os Freelancers são os responsáveis por preencher as páginas dos jornais diários, das revistas e magazines especializadas. Eles produzem matérias para rádio, programas para a televisão, dossiers ou blogs.
Conforme revela o estudo "A mudança nos meios de comunicação atuais" realizado pelo Instituto de Comunicação da Universidade de Münster dois terços dos jornalistas entrevistados disseram que as redações dos jornais onde trabalham foram sendo cada vez mais terceirizados nos últimos 20 anos.
Atualmente acredita-se que existem mais de 30.000 na Alemanha que trabalham sem uma posição permanente, que aceitam não receber nada nos dias que estiverem de férias ou doentes, trabalhando para vários clientes – em média de três a seis . Segundo um estudo realizado pela Universidade de Munique em 2008, apenas 20% dos freelancers desejam ter um emprego formal. E quase dois terços estão muito ou razoavelmente satisfeitos com sua vidas profissionais.
O salário
Enquanto a sensação de liberdade em poder escolher seus clientes e trabalhar conforme seus próprios horários satisfaz estes profissionais, o salário continua sendo um problema. A maioria deles recebe 2.000 euros bruto por mês, o que fica bem abaixo da maioria dos funcionários com emprego fixo.
Nos últimos dez anos, os valores pagos não aumentaram, e inclusive, neste período de crise, diminuíram 30%.
Além disso, muitos clientes atribuem o direito de utilizar posteriormente novamente o texto ou programa dos autores, pagando porém uma única vez. Comumente eles vendem os artigos dos freelancers para outras empresas sem que os autores recebam seus honorários.
Para o freelancer ficam então duas possibilidades: trabalhar mais rapidamente e produzir mais, diminuindo o tempo de contato com as fontes e investigação. Ou fazer o trabalho de RP, isto é, releases, brochuras, filmes e produtos para empresas privadas, que normalmente são mais bem pagos.
Segundo estatísticas, atualmente mais de 74,8% dos jornalistas têm empregos fixos na Alemanha, número que cresceu consideravelmente se comparado há 12 anos, quando só 66,5% tinham carteira assinada.
Além disso, o número de jornalistas desempregados no país diminuiu consideravelmente desde 2003. Atualmente, são mais de 4.000 jornalistas a procura de um emprego enquanto em 2003 eram mais de 9 mil.